CERTIFICADO 2019
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Enfermeiros debatem Práticas Integrativas e Complementares durante CBCENF

Práticas milenares de cuidados é tema de debate 22° CBCENF

A arte e a prática do cuidar são milenares. A Enfermagem, dentro do seu conhecimento científico, reconhece as Práticas Integrativas e Complementares (PICs), que são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais e populares. As PICs foram discutidas no último dia do 22° Congresso Brasileiros dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF), nesta quinta-feira (14), em Foz do Iguaçu.

A Política Nacional de Integrativas complementares no Sistema Único de Saúde (SUS) tem como objetivo incorporar e implementar as práticas, contribuir para o aumento da resolubilidade do sistema e para a ampliação do acessos às PICs. Além de estimular o uso racional do sistema de saúde e as ações referentes ao controle e participação social.

A mesa foi coordenada pelo presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS), Daniel Menezes de Souza, que destacou que a Enfermagem é precursora e vanguarda no campo da pesquisa sobre o assunto.

“Esse é um programa muito interessante no sentido de trazer alento à população mais carente. A Enfermagem é a profissão que mais pesquisa sobre o tema, então nós somos precursores. Estamos trabalhando na última década, com as práticas e evidências, este é um momento de fortalecimento. Nós temos inúmeras pesquisas”, afirmou.

Para a conselheira federal, Maria Luísa de Castro, referência de PIC da Bahia, as evidências científicas comprovam a eficiência das Práticas Integrativas e Complementares e demonstram, inclusive, a diminuição da prática medicamentosa, levando em contrapartida a gestão a economia.

“Se o gestor for visionário e perceber o custo benefício das PICs dará um olhar diferenciado a essas práticas. Nós reduziríamos a compra de medicamentos e teríamos um resultado mais eficaz de práticas preventivas da saúde”, destacou a conselheira.

Durante o debate, alguns dados relevantes foram apresentados ao público, entre eles está a expansão do Meio Técnico Científico Informal (MTCI), que mostra que, até 2018, Estados-Membros de Organização Mundial da Saúde (OMS) registraram 98 institucionalização políticas nacionais; 109 possuem leis ou regulamentações nacionais; 124 regulamentos sobre medicamentos fitoterápicos; e 75 institutos nacionais de pesquisas sobre o assunto.

Segundo um levantamento do Ministério da Saúde, tendo como base o modelo de cuidado e resolutividade da Atenção Primária, foi constatado que 50 a 70% das consultas geram prescrições de medicamentos. Nesse universo também foi apurado que dos 40% dos hipertensos não precisam de medicação; 30% das consultas preventivas prescreveram novos medicamentos; e 27% dos brasileiros têm dor crônica; 50% deles utilizam medicamentos; e apenas 18% fazem atividades física ou fitoterapia. A pesquisa mostra ainda que o Brasil realiza mais ressonâncias magnéticas que países como a França, Estados Unidos e Alemanha.

“Desde 2006 temos uma política instituída, que consideramos emancipatória e civilizatória, que vem para superar um modelo de saúde que não atende às demandas, e é muito focado na doença e no mercado. Essas práticas vêm justamente para promover uma outra abordagem na saúde e na perspectiva de promoção, qualidade de vida, autocuidado”, afirmou Maria Luiza, ao destacar a necessidade de divulgar as PICs, sobretudo na atenção primária.

Hoje existem 29 práticas, na Resolução do Cofen 581 de 2018, 12 destas práticas são especialidades do enfermeiros. A enfermeira e psicóloga Ana Cristina de Sá, membro da comissão de PICs do Cofen, a enfermagem sempre teve o olhar integral. “A prática integrativa enxerga como nós da enfermagem, os indivíduos como ser integral”, destacou.

Ana Cristina também destacou a importância da formação desses profissionais. “A Abenah (Associação Brasileira de Enfermeiros Acupunturistas e Enfermeiros de Práticas Integrativas), que cuida dessa questão de terapias holísticas, vai ter que, junto com a resolução do Cofen 581, achar critérios para dar um selo de qualificação para as pessoas que atuam nessas práticas. Temos que capacitar as pessoas, elaborar documentos técnicos, alinhar com conselhos e associações, e alinhar com o MEC a qualificação dessas pessoas. Estes cursos já existem e podem ser acessados no site do Ministério da Saúde”.