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22º CBCENF discute Enfermagem em regiões de fronteiras

Programação do congresso contou com a mesa redonda que discutiu a enfermagem em regiões de fronteiras sob três aspectos diferentes

Dando continuidade à programação do 22º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem (CBCENF), na tarde dessa terça-feira, dia 12, o congresso abriu espaço para discutir o processo de Enfermagem nas fronteiras. O debate aconteceu durante a mesa-redonda intitulada “Enfermagem sem fronteiras: dilemas no cuidar e no autocuidado”, coordenada pelo conselheiro federal Gilvan Brolini.

A mesa-redonda foi composta por Hamyla Elisabeth Trindade, do Amazonas; Júlio Ricardo França, do Mato Grosso do Sul; e Reinaldo Antonio Sobrinho, do Paraná. Cada um dos conferencistas discutiu a Enfermagem em fronteiras sob uma perspectiva diferente, o que contribuiu para o enriquecimento do debate.

Hamyla Elisabeth discutiu o processo da Enfermagem nas fronteiras, voltado principalmente para a população indígena que mora nessas localidades. Durante sua palestra, ela falou sobre a Política Nacional de Saúde dos Povos Indígenas e a atuação da enfermagem no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Alto Rio Negro, localizado no município de São Gabriel da Cachoeira (AM).

Conforme ela relatou, no distrito sanitário atuam 62 enfermeiros e 130 técnicos de enfermagem, além de outros profissionais. A assistência tem foco principalmente na promoção da saúde e prevenção de doenças.

Em virtude de condições inadequadas, muitas vezes há barreiras que dificultam esse trabalho, comprometendo também a assistência do profissional de Enfermagem. Tais dificuldades estão relacionadas com o alto grau de contaminação por doenças transmissíveis, o isolamento de algumas comunidades e ainda a alta concentração de pobreza nessas localidades. “É um desafio a atuação da saúde nesses ambientes de fronteiras”, completou Hamyla.

Diante do cenário, a profissional chama atenção para a necessidade de um planejamento de assistência à saúde que extrapole os limites geográficos. “As fronteias geopolíticas nem sempre coincidem com as fronteiras culturais, sanitárias e epidemiológicas, evidenciando que há a necessidade de ter um diagnóstico da situação de saúde para além das fronteiras geopolíticas brasileiras, para estimular o planejamento e a coordenação de ações e acordos bilaterais ou multilaterais entre países que compartilham fronteiras entre si”, pontuou.

Trabalhador – Logo em seguida, Júlio Ricardo França, do Mato Grosso do Sul, trouxe para a discussão os dilemas vividos pelo trabalhador da Enfermagem nas áreas de fronteiras, principalmente aqueles relacionados com a carga excessiva de trabalhos, o assédio moral e outros problemas que interferem diretamente na boa assistência.

Por fim, Reinaldo Antonio Sobrinho destacou, em sua fala, a relação entre saúde e educação, ressaltando a importância do conhecimento como forma de promoção da saúde e empoderamento do profissional de Enfermagem.

Todos nós devemos nos apropriar de aspectos da nossa profissão para sermos autoridades em função dos nossos conhecimentos e, dessa forma, prestar um bom serviço. Por isso, devemos avançar sempre na educação”, frisou.